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A liberdade do meu verdadeiro "EU"


Para maioria da sociedade, existem apenas dois sexos: Masculino e Feminino, que são determinados desde do início da vida. Mas o que acontece quando uma menina nasce menino?


O que realmente significa um corpo, um nome? A militante transexual Virgínia Guitzel já diz: “Pare de procurar em mim outro corpo é este que me fiz pra mim. Senão agradas meu ser, aceitamos que é o fim”. Nome e Corpo: são o que identifica uma pessoa no mundo. Um corpo não é somente um corpo. É também, uma história que se constrói junto com o nome que se carrega, e as marcas de uma trajetória.

A identidade de gênero é o conceito básico para entender a realidade de quem se sente diferente dentro do próprio corpo. Isso ocorre com pessoas que, ao nascer, foram identificadas pelos órgãos que carregam entre as pernas. Para elas, ser menina/menino vai além do que a sociedade rotula. 

Isso deveria ser algo particular, no seu infinito íntimo, mas não é. Essa é a dura realidade vivida por muitas mulheres transexuais ou transgênero, que encontram barreiras e dificuldades em mostrar o verdadeiro “EU” para o mundo.

Esse é o caminho percorrido por Eliza Britto, 32. Desde a sua infância até a transformação pelo eu, ela viveu uma realidade semelhante por muitos homens e mulheres trans: Um percurso longo de aceitação, luta e resistência.


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Foto: Bruna Maciel

A identidade de gênero deve ser percebida logo na infância, mas a falta de informação sobre o tema costuma tardar o conhecimento. Mesmo quando identificada permanece a ser um assunto abafado dentro da família. Assim, contribuindo para a descriminalização perante a sociedade.

Eliza só sentiu confiança em revelar quem realmente era aos 18 anos, quando se  teve a segurança de si, para enfrentar todas as barreiras que viriam pela frente, ao se libertar do corpo que não a enquadrava.


Foto: Bruna Maciel

Para Eliza, o processo dentro de casa foi uma verdadeira guerra fria, desde pequena sofria preconceitos pelo modo com que se portava. O desenvolvimento de luta pela transformação foi a deixando cada vez mais excluída e retraída por familiares e colegas. “O que me ajudava nesse processo de transformação era o silêncio, porque se eu falasse era pior ainda”, afirma.

A incompreensão da família faz parte da dura realidade das mulheres trans, são poucas as que não vão para prostituição ou acabam se suicidando, pela não aceitação dentro de casa. Segundo Eliza, o processo de aceitação com sua mãe foi uma luta árdua, se ela  não a aceitasse acabaria nas ruas. 

Por este e vários motivos, Eliza sabia que, com os estudos, teria mais segurança e estabilidade, mesmo enfrentando constante descriminação no ambiente universitário. Formou-se em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e foi a primeira transexual a conseguir o direito do nome social dentro da sala de aula.

De acordo com Eliza, as pessoas têm dificuldades em compreender. “Eu nunca entendi o porquê de tanta repressão, as pessoas ficam preocupadas com o que eu estava fazendo com o meu corpo. Eu não quero nada de ninguém, o corpo é meu”.

Mesmo Diante de tantas dificuldades vividas por Eliza, ela nunca pensou em desistir. Hoje, já não se importa com que as pessoas dizem, se tornando cada dia mais forte e enfrentando os obstáculos que o mundo coloca em seu caminho e vivendo sua verdadeira identidade.

Foto: Bruna Maciel

Focas da Federal

“Eu ainda acredito que, se seu objetivo é mudar o mundo, o jornalismo é uma arma mais imediatas de curto prazo”. – Tom Stoppard

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