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Animais de estimação ou membros da família?

Cachorros são como filhos

Os cachorros estão presentes na maioria dos lares das famílias brasileiras. Uma ótima companhia, eles proporcionam amor e trazem alegria aos seus donos. 

A origem dos cachorros

Estudiosos vem debaten-do como surgiram os cachorros, ao longo de gerações e uma grande parte dos historiadores e pesquisadores afirmam que eles são realmente descendentes do Lobo, conhecido como Lobo Cinzento. Através de estudos de DNA, cientistas descobriram que os cachorros são estreitamente ligados ao Canis Lupus ou seja, ao Lobo Cinzento. E devido a estas descobertas científicas nossos cães foram reclassificados pelos biólogos, no ano de 1993 como pertencentes ao grupo de mamíferos Canis Lupus Familiares que antes era denominado Canis Familiares. Mas então, como surgiram os cachorros?

Sem dúvida que a história dos cachorros se funde com a história humana de uma forma tão profunda que vai muito além do companheirismo que hoje muitos de nós conhecemos e amamos.

Canis Lupus. Imagem: Reprodução.


Relação entre cachorros e seus donos

É perceptível que os laços criados ente os cãezinhos e seus cuidadores vêm se estreitando com o passar dos anos. Antes, o animal que frequentemente era ensinado a ficar na área externa da casa e cuidar da segurança, hoje é mimado, só fica dentro da residência e, em certos casos, até dorme na cama dos “pais”, como se intitulam os donos dos bichinhos. De acordo com a última pesquisa realizada pela Comac (Comissão de Animais de Companhia), 55% dos cachorros de estimação dormem dentro de casa no Brasil e 23% dormem com os seus donos. A pesquisa revelou ainda que 12% dos pets têm um dormitório só para eles, 11% dormem na sala e 9% ficam na lavanderia ou no banheiro durante a noite.

A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), acredita que existam por volta de 37 milhões de cães domesticados no Brasil, contra mais ou menos 30 milhões de crianças. Ao contrário do que alguns acreditam, porém, não são as pessoas que vivem sozinha que mais adotam um cachorro filho. A maioria dos cães fazem parte de famílias com dois ou mais membros, incluindo pais e filhos.

Mimos e tratamentos especiais

Manter um “filho” canino não é fácil e nem barato, como indica a Abinpet. Segundo a associação, o setor de produtos para pet faturou, só no ano de 2015, R$ 18 bilhões só no Brasil.

Renilda Silva, conhece bem essa relação de amor profundo entre os cães e seus donos. No petshop onde trabalha a cerca de 12 anos não faltam mimos e produtos dedicados exclusivamente aos animaizinhos.


Fachada do petshop Late & Mia.
A loja, localizada em um shopping de um bairro nobre de Cuiabá, capital de Mato Grosso, atende diariamente um incontável número de clientes que vão em busca de diversos produtos voltados para os pets. Roupinhas e petiscos são os itens mais procurados. A loja também disponibiliza em seu estoque coleiras de grifes especializadas para animais, um self-service de petiscos, carrinhos, camas, joias, vários tipos de brinquedos, tapetes higiênicos, remédios, rações importadas e até produtos como escova e pasta de dentes especiais para os bichinhos.
Estante de petiscos self-service


Além de todos os produtos, o petshop possui uma clínica veterinária e um espaço para banho e tosa. Outra mordomia oferecida pelo estabelecimento é o serviço de buscar os cãezinhos para o banho e leva-los quando estiverem prontos. Sempre muito bem tratados, os animais possuem ficha de cadastro e são oferecidos pacotes de banho e tosa que dão descontos aos donos. Diversos cãezinhos usam esses serviços semanalmente, e já são conhecidos dos funcionários.

Quem são os chamados pais de pets? 



Geize Mantoani e Vilamir Mantoani são donos da Tekinha, uma cadelinha de 3 anos da raça Lhasa Apso, e são o que podemos chamar de “pais de pet”. Teka é parte da família e divide a atenção dos dois com mais quatro irmãos humanos.

Ela já fez três viagens com a família pelo Brasil, nunca é deixada para trás. Tekinha também vai todos os finais de semana com os Mantoani para a fazenda.

Tekinha em uma viagem com seus donos
Cheia de charme e sempre com um laço na cabeça, Teka á levada ao petshop toda a semana para tomar banho. Seus donos acreditam que os gastos mensais para mantê-la chegam aos R$ 280,00.
Tekinha no sofá de sua casa


Mais casos de famílias e seus cachorros

Caroline Rocha também é uma “mãe” apaixonada. Sua cadelinha Polakita é membro da família desde 2013. Caroline tem 20 anos e mora com sua mãe, que no início não gostava muito da idéia de ter Polakita dentro de casa, mas não demorou muito para se render aos encantos da mascote.

Polakita com sua "avó", mãe de Caroline
Polakita é dona do lado esquerdo do sofá, explicou Caroline, e adora comer petiscos que lhe são oferecidos, além de sua ração. Caroline, sua mãe e seu avô, que moram na casa, costumam conversar com Polakita e se despedem dela todas as vezes que precisam deixa-la sozinha. A família garante que ela entende.
Caroline e sua cachorrinha Polakita
Outro cachorrinho tratado como filho é o Airon, da raça Cihuahua, pet da Ivanize Farias. Ele tem 6 anos e sua dona diz que já perdeu as contas de quanto gastou com o cão, incluindo tratamentos médicos, já que essa raça é frágil e requer visitas constantes ao veterinário, e tratamentos estéticos. Considerado “dono da casa”, Airon também dorme na cama de sua dona e tem uma alimentação toda especial, com ração importada, frutas e petiscos feitos com alimentos naturais.
Airon deitado na cama de sua dona

Já Fred, o cãozinho da raça Poodle de Yury Fernanda, não dorme na cama, mas nem por isso deixa de ter todas as regalias que os mesmos animais de estimação acima citados. Ele tem 4 anos e, como Tekinha, é o companheiro de viagens de sua dona. Yury estima que são gastos R$ 250 reais mensais com Fred. Para ela e seus pais, Fred é considerado um membro da família.

Fred e seu brinquedo


É saudável permitir que os cachorros durmam na cama?
Antes de deixar o bichinho dormir na cama, alguns cuidados são importantes. “Do ponto de vista da saúde do animal e do dono, existem alguns problemas que podem decorrer do fato do animal dormir com o seu dono”, diz o veterinário José Manuel Mouriño. Dividir a cama o cachorro pode ocasionar problemas respiratórios, além de favorecer a transmissão de doenças como micose, pulgas e carrapatos. Essas doenças podem ser transmitidas do pet para o homem ou vice-versa.

Além disso, esse hábito pode fazer com que o pet fique acostumado com a situação e se recuse a dormir em outro local quando seu dono não deixar o bichinho dormir na cama. “O fato de deixar o cão dormir sobre a cama influencia o comportamento dele e o deixa mais confiante e com o sentimento de ser o dono do pedaço”, diz o Dr. José Manuel. 

Se o dono realmente quiser dormir com seu animalzinho, existem algumas recomendações, feitas por veterinários:


· Verificar se o cachorro tomou todas as vacinas
· Dar vermífugo ao animal periodicamente
· Limpar as patas do cachorro toda vez que ele andar na rua
· Trocar a roupa de cama semanalmente e, se o animal solta muito pelo, trocar diariamente.


Entrada de cachorros em espaços públicos

Recentemente, dois grandes shoppings da cidade de Cuiabá resolveram abrir suas portas para receber os cãezinhos. Por lá, eles são bem-vindos até dentro das lojas.



Já alguns estabelecimentos como supermercados, farmácias e restaurantes ainda proíbem a entrada de animais.

Exagero ou amor?
Os relacionamentos entre cães e donos que os tratam como filhos, parte da família, são motivos de questionamento entre as pessoas que não veem os animais da mesma forma. Seria saudável criar os bichinhos dessa forma? Conforme já estudado por vários pesquisadores, e já de conhecimento popular, como membro de um grupo, o animalzinho precisa de uma liderança. Esse posto normalmente é ocupado pelo seu dono.
Porém, se este não se comporta como líder, o cão se sente deslocado, e acredita que é seu dever proporcionar a liderança à matilha. Dessa forma, é o cachorro que adestra o dono, e não o inverso. Como a família sinaliza seu comportamento de forma confusa, às vezes parecendo que ele é o líder, às vezes aparentando estar descontente com suas atitudes, o cachorro acaba ficando desgostoso e estressado e isso faz muito mal para ele. 

Assim como alguns pais "estragam" seus filhos, alguns donos de cães os mimam tanto que o resultado é um animalzinho feroz, birrento, incapaz de se controlar e ser controlado, às vezes odiando qualquer pessoa ou outra espécie de animal que se aproxime da família. E isso não é normal em uma criatura sociável como um cão.

Ao humanizar o cachorrinho, as pessoas perdem duas vezes. Primeiro, porque deixam de aproveitar tudo o que vale a pena em um bichinho de estimação, isto é, o fato dele não ser humano; depois, por fazerem com que seus pets percam a identidade, passando a inexistirem como companheiros.



Casos extremos de relacionamentos entre cães e seus donos

O extremismo na relação entre os animais de estimação e seus donos são comuns. Há casos de pessoas que fazem até testamento para o cachorro (como a bilionária americana Leona Helmsley, que deixou sua fortuna de US$ 12 milhões para a cadelinha Trouble), outras que fazem festas de aniversário pagas em buffet, e há até quem queira se casar com ele: o site marryyourpet.com oferece cerimônias e certidões de casamento entre os cães e seus donos. 

Esses relacionamentos obviamente não são saudáveis e, pessoas que apresentam esse tipo de comportamento precisam procurar ajuda com profissionais especializados. Esses exageros também podem influenciar negativamente no comportamento do animal, eles precisam de limites e de cobranças para aprender a lidar com o espaço e tempo que eles tem com o dono.



Amor incondicional 

Mimados ou não, os cachorros demonstram um amor incondicional por seus tutores. Cuidados básicos são essenciais para a qualidade de vida desses bichinhos que são tão companheiros para milhares de pessoas ao redor do mundo todo. Independente do tratamento dispensados a esses animaizinhos, a relação entre humanos e cães, que perduram a gerações, sempre será repleta de companheirismo e muito amor.

Focas da Federal

“Eu ainda acredito que, se seu objetivo é mudar o mundo, o jornalismo é uma arma mais imediatas de curto prazo”. – Tom Stoppard

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