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O "natimorto" do futebol Mato-Grossense

Pra quem não sabe, a palavra "natimorto" é a denominação dada ao feto que morreu dentro do útero ou durante o parto. É uma expressão cabível ao nível atual do futebol de MT. No qual, grande parte dos frequentadores dos jogos já sabe que as glórias do futebol local já se passaram há muito tempo.


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Para aqueles torcedores que já viram as conquistas dos times de Mato Grosso, os tempos atuais estão cada vez mais sombrios e nebulosos. Em especial, para o torcedor Hítalo Caporossi, Fanático pelo Mixto, só começou a torcer pelo time da capital devido as histórias contadas pelo seu avô, onde ele dizia que o time era o mais temido do Centro Oeste, isso era fato, mas o "tigre", como é carinhosamente apelidado pelos torcedores, já viveu seus anos de glórias, em especial, quando estava presente na elite do futebol brasileiro, mas hoje em dia vive uma crise que já vem se arrastando de uns 10 anos pra cá.

Por mais que o futebol mato-grossense viva essa crise, pode-se destacar o surgimento de dois clubes com sucesso no cenário nacional, um é do interior do estado e o outro é da capital. Os dois clubes foram criados neste século, mas já são  exemplos de que um investimento bem coordenado e uma administração correta colhem frutos no futuro. Um deles é o Cuiabá Esporte Clube, que foi criado em 2001, e já conta com um acesso a série C do Brasileirão, vários títulos estaduais, um título nacional e uma disputa em torneio internacional. Já o Luverdense, clube da cidade de Lucas do Rio Verde, é orgulho da cidade e do estado, em especial quando conseguiu seu acesso para a disputa da série B do Campeonato Brasileiro em 2013. O clube do norte do estado fez sua melhor campanha no ano de 2016, quando ficou na nona colocação na competição nacional. Nenhuma destas conquistas dos clubes veio em vão, é resultado de toda uma equipe por trás dos jogadores, desde o presidente até o roupeiro, todos comprometidos, e em busca do crescimento do clube.

Apesar do surgimento destas duas equipes, ainda não se sabe muito bem o motivo da tamanha falta de público nos jogos em Cuiabá. O preço dos ingressos não é, pois o valor é sempre muito acessível a todos. O torcedor "doente" do Operário, Cláudio Anjos, 46 anos, explica que nem ele próprio entende a tamanha falta de interesse do povo cuiabano no futebol local, ainda diz, que na época do antigo estádio Verdão, os jogos eram sempre muito movimentados e o torcedor sempre ia com bastante entusiasmo. Hoje, os torcedores têm tudo, estádio moderno, se sentam em uma cadeira confortável, um gramado impecável, e ainda assim não comparecem ao estádio em grande número.

O renascimento pelo amadorismo

A pessoa que não conhece o Campeonato de Futebol Amador Peladão, já se sabe que é "pau rodado".  O Peladão surgiu em 2005, na gestão do prefeito Wilson Santos, mas por falta de apoio e incentivo, este campeonato, que sempre movimentou a economia e integrou muitos bairros da capital, ficou três anos e meio parado, mas retornou em 2016, com toda a força. Já no seu retorno, 200 equipes inscritas dos mais diversos bairros de Cuiabá e Várzea Grande. A equipe da organização conta com sete pessoas.

Se há muita rivalidade em campo, é a generosidade que impera. No retorno do campeonato, foram arrecadadas duas toneladas de alimentos não perecíveis com a inscrição dos times. Essas doações foram destinadas às famílias que foram atingidas pela enchente no município de Cáceres.

O Peladão é um campeonato feito de histórias e que faz histórias. Uma das melhores histórias que vi é a da vendedora de salgados, Dona Rosa, de 55. Ela vende seus quitutes antes, durante e depois das partidas realizadas em Cuiabá e Várzea Grande desde 1995. Os maiores frequentadores dos jogos a conhecem desde muito tempo, até os jogadores tomam “bença” da dona Rosa.

Fernando Augusto, 35 anos, é treinador de uma das equipes que está jogando, já bastante conhecida, um time de amigos do bairro Pedregal. Ele afirma a importância do Peladão, que por ser uma competição que não cobra taxa de inscrição, "junta todas as classes sociais, times de todos os bairros, periferia, não se limita a um único público.

O futebol amador ocupa uma importância cada vez maior e inclusiva, pois não se reduz apenas a jogadores homens de meia idade, mas os jovens, as mulheres e adolescentes também têm espaço e oportunidade de mostrarem seu talento. Há campeonatos de categorias de base, como o sub-12 e o sub-14, que estão crescendo cada vez mais na região do CPA em Cuiabá, e na região do bairro da Manga em Várzea Grande.

Os campeonatos que acontecem o ano todo fora do grande centro, são a realidade nas periferias, onde unem famílias e amigos em uma opção de lazer saudável. É um projeto feito com muito amor e dedicação do povo, para o povo. Existe uma grande possibilidade de o futebol do estado ressurgir pelo futebol amador, é onde a primeira paixão pelo esporte nasce. Sem nenhum comprometimento ou seriedade que um clube profissional precisa. São nestes campeonatos, que mesmo não valendo títulos de expressão ou caminhões de dinheiro que surgem os verdadeiros apaixonados pelo esporte mais amado do mundo. Nos campos de terra, onde a conquista é uma caixa de cerveja ou um churrasco completo pago pela equipe adversária.

Focas da Federal

“Eu ainda acredito que, se seu objetivo é mudar o mundo, o jornalismo é uma arma mais imediatas de curto prazo”. – Tom Stoppard

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