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A mentira descoberta

De onde vem a informação?

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Foto: reprodução

Você sabe de onde vem a informação que você recebe? Acredita em tudo o que chega até você? Tem o costume de averiguar se é ou não verdade? Lê a notícia inteira ou apenas o título antes de compartilhar? Essas perguntas respondem um grande problema que os internautas vêm enfrentando: as notícias falsas.

As notícias falsas sempre estiveram presentes na internet, mas ultimamente elas se proliferam de forma assustadora e com aparência de veracidade que fica difícil para uma pessoa desatenta perceber que o que está lendo é uma mentira. Mas qual a consequência de publicar ou até mesmo compartilhar notícias falsas na internet? Existe punição pra quem as divulga? Não existe fórmula, mas algumas características ajudam a identificar uma notícia falsa.

As redes sociais são os principais lugares aonde elas se propagam: FacebookWhatsappTwitterTumblr, E-mails, entretanto, a maioria está hospedada em sites de blogs. Não são sites de empresas da grande mídia comercial, tampouco veículos de mídia alternativa com corpo editorial transparente, jornalistas ou articulistas que se responsabilizam pela integridade das reportagens que assinam artigos de opinião. São sites onde as “notícias” não têm autoria. 

No Brasil também chamam essas notícias de “pós-verdade”, além de hoaxtermo internacional que vem do inglês que significa fraude ou roubo.

Para identificar se é verdadeira ou não, é necessário que o internauta analise alguns padrões nas notícias que leem, pois os sites que se encaixam no conceito de “Pós-verdade” jogadas na internet possuem características em comum:

• Foram registrados com domínio “.com” ou “.org”, sem o “.br” no final, o que dificulta a identificação de seus responsáveis com a mesma transparência que os domínios registados no Brasil.
• Não possuem qualquer página identificando seus administradores, corpo editorial ou jornalistas. Quando existe, a página 'Quem Somos' não diz nada que permita identificar as pessoas responsáveis pelo site e seu conteúdo.
• As “notícias” não são assinadas.
• As "notícias" são cheias de opiniões, cujos autores também não são identificados, e discursos de ódio.
• Possuem nomes parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais já bastante difundidos.
• Há intensiva publicação de novas “notícias” a cadapoucos minutos ou horas.
• São repletos de propagandas “ads do Google, o que significa que a cada nova visualização o dono do site recebe alguns centavos. Estamos falando de páginas cujos conteúdos são compartilhados dezenas de milhares de vezes por dia no Facebook.
• Têm seus layouts deliberadamente parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais já bastante difundidos.

Por outro lado, existem os sites onde os colaboradores se dispõem em desvendar essas notícias falsas, geralmente analisando o padrão citado a cima, e desmentindo grande parte dos boatos que ganham grande proporção, tanto fora como dentro do país. Os mais conhecidos no Brasil são E-farsas que é um dos precursores do gênero, o site tem mais de 10 anos de existência e nele é possível pesquisar sobre a maior parte dos boatos amplamente difundidos na rede. O autor do site além de pesquisar a origem dos boatos, tenta fazer uma análise minuciosa sobre os pontos contraditórios contidos na informação que está sendo divulgada. Boatos.org, outra excelente alternativa para checagem de histórias espalhadas pela internet. O site segue uma linha editorial semelhante a encontrada no E-Farsas, mas pode variar no que diz respeito a análise da história. Nem sempre o que publicado num site, é repetido no outro. Fatos & Boatos, site criado pelo Governo Federal e lançado no final de 2015. Nesse site são esclarecidos fatos relacionados a política.   

A maioria das mentiras falsas na internet tem relação com artistas famosos, alertas sobre saúde ou algo absurdo, como galinhas gigantes ou milagres, coisas que chamam atenção. Os sites que auxiliam na descoberta das mentiras agem mais frequentemente sobre os maliciosos onde os autores das “notícias” visam lucrar algo em cima daquilo,muitas coisas que se originam de redes sociais não são descobertas por eles e sim após alguns dias conforme vão investigando as pessoas mais interessadas, por falhas nas informações ou é até mesmo revelado pelo próprio autor da notícia falsa. 

Como em um caso ocorrido em Cuiabá no final do ano de 2015, quando uma mulher fingiu o sequestro do próprio filho pelas redes sociais. Em poucas horas, muitos sites de notícias da cidade já divulgavam a manchete e na mesma rede social as pessoas começaram a se mobilizar para encontrar a criança. A delegada Anaíde Barros, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP),desconfiada da história, verificou que não havia nenhum registro de desaparecimento no dia. A notícia acabou se mostrando uma mentira. A mãe da criança estava mentindo para punir algumas pessoas e acabou sendo presa. Fabiana Arruda, 25, administradora financeira, ficou muito abalada com a notícia. “Fiquei muito mexida com o que eu vi, só pensava em como alguém poderia tirar o filho da mãe de uma forma tão brutal. Após descobrir que era mentira, tive vontade de bater naquela mulher, mas ao mesmo tempo estava aliviada de que não houve sequestro e não existe um monstro desses na cidade”.

Isento de Verdade

Na internet ainda existem outros tipos de sites que são os que publicam “notícias fictícias” e geralmente são de humorOs sites de notícias fictícias ganharam destaque inicialmente pelo Twitter e depois migrando para o Facebook. Antes de 2014, muitas pessoas acabavam acreditando neles até o ponto de se tornar uma verdademesmo o site deixando claro que não o é. Já mais conhecidos, a maioria das pessoas parecem ter aprendido a reconhecer se o que está lendo é uma inverdade quando notam de qual site é a “notícia”.

Só no ano de 2011 surgiram o Kibeloco 2030 (só com notícias “do futuro”); o G17 (inspirado no portal de jornalismo G1); O Bairrista (ironizando o egocentrismo gaúcho); o Meiu Norte (paródia do jornal piauiense “Meio Norte” que não existe mais); o twitter @estadaos (alusão ao jornal “O Estado de S. Paulo”) para citar os mais acessados. Isso porque já existiam o “Piauí Herald”, página de manchetes irônicas da revista “Piauí” criada em 2007, além de O Sensacionalista de 2009.

O site internacional Rotoscopers, voltado para o conteúdo cinematográfico, divulgou no ano de 2015 na internet que a animação Anastásia ganharia um live-action e no começo do ano passado essa notícia chegou ao Brasil através do blog Cinema Talking Movie (ATM), falando de filmes, em tradução livre. Muitas pessoas começaram a compartilhar o link desse blog nas redes sociais. Em poucas horas, muitos jovens que cresceram assistindo a animação estavam comentando sobre a novidade, entretanto, foi descoberta a origem da notícia. Era uma pegadinha de 1° de abril, dia da mentira. 

Foram tantas pessoas decepcionadas que gerou uma forte comoção na internet, principalmente no Twitter, aonde chegou a estar até nos Assuntos mais Comentados do dia. Algumas pessoas gostam tanto da animação que quase não acreditaram que era uma pegadinha. A aluna de arquitetura, Aline Bays, 22, ficou muito resignada na época. “Normalmente eu busco ler a notícia toda e busco outras fontes de informação, mas desta vez eu apenas li a notícia no blog e comecei a comemorar. É a minha animação preferida entre todas as outras, mas quando descobri a verdade, fiquei muito triste. Não me conformava que alguém poderia fazer brincadeira com isso, é muita sacanagem com as pessoas. Odeio o dia da mentira!”. 

Falando com os criadores do blog Cinema ATM, eles responderam que nem eles perceberam que se tratava de uma pegadinha, apenas estavam felizes com a novidade, assim como as pessoas que leram a notícia ficaram. 

Dandara Aryadne, a colunista do blog que veiculou a notícia lamentou a falta de atenção. “Foi um erro meu, não prestei atenção e acabei decepcionando muitas pessoas. Tudo bem que fiquei chateada também quando descobri que era mentira, mas nem tive tempo para ficar triste pela notícia, fiquei por ter enganado tanta gente, mesmo sem querer!.

Jornalistas e as notícias falsas

Nem todo mundo que faz notícia é jornalista. Os criadores dos blogs citado até então fazem parte do grupo que não são. No caso dos sites que divulgam notícias falsas, eles visam apenas o lucro recebido em cada clique que é dado em seu blog. Os que desvendam as mentiras na internet buscam prestar um serviço para o povo. Já os de humor querem apenas divertir. “O site não tem o objetivo de espalhar boato. É um site de humor, que tem notícias engraçadas”, diz Otileno Junior, um dos colunistas do Sensacionalista, para a revista Época

O professor Maurélio Menezes, 65, que dá aula de Direito e Ética na Universidade Federal de Mato Grosso em Cuiabá para o curso de jornalismo diz que “esses sites são muito engraçados, mas as notícias são falsas. Quem tem um mínimo de informação percebe que são notícias falsas”O professor ainda completa que “se você tiver muita informação e um site desses jogar uma casca de banana para você cair, você não vai cair, você estará informado para não se deixar levar. Isso vale para tudo”.


Regulação da mídia e o sensacionalismo

O que acontece nas mídias jornalísticas tradicionais quando noticiam alguma inverdade é a pessoa ou empresa que se sentir lesada buscar o direito de resposta, em alguns casos, levar até para a justiça e pedir indenização. Quando um jornalista está em formação, aprende que deve se dedicar apenas a divulgação da verdade e ter ética.

Mas como esses sites não fazem jornalismo, não há uma regulação para eles, a única forma para resolver um problema caso alguém venha a ter, é entrando com recurso contra eles. Mas na maior parte das vezes, o que saem neles são coisas irrelevantes e acabam passando e por vezes cai no esquecimento.

Focas da Federal

“Eu ainda acredito que, se seu objetivo é mudar o mundo, o jornalismo é uma arma mais imediatas de curto prazo”. – Tom Stoppard

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