Mulheres não ocupam os postos de poder
Mulheres não ocupam os postos de poder
Elas ainda têm baixa representatividade na política e nos principais cargos executivos e legislativos do estado que nunca teve uma governadora em sua história
O estado de Mato Grosso no século 21, ainda é dominado pelos
homens. E isso fica visível na política local, pois contabilizando no poder
Legislativo e Executivo, tem apenas a presença de uma mulher. A participação feminina nas esferas de governo
é ínfima e reflete o desequilíbrio histórico de gênero nas funções
públicas.
“Não existe nenhum setor da sociedade onde o machismo impera com
tanta força como na política”, afirma o cientista político João Edson.
Ao longo da história de Mato Grosso é possível verificar duas
formas de representatividade femininas. A primeira é a candidatura familiar, quando
uma mulher é eleita a sombra de um homem político. Ou seja, não está ali pelo
seu discurso, mas sim, porque o marido, ou o pai, ou então a família a colocou
no cargo.
A segunda forma é de mulheres oriundas dos movimentos ideológicos,
quase sempre uma professora ou uma assistente social. “Nós temos duas vertentes
de candidatas e as duas são muito fracassadas”, garante o cientista político.
| Foto: Arquivo Pessoal |
Hoje,
a única deputada do estado é filha de José Riva, um político que foi condenado, em abril do ano
passado, a 21 anos e 8 meses de prisão, por lavagem de dinheiro. Mas
mesmo assim, Janaina Riva (PMDB), afirma que a influência do seu pai, ajudou em
sua eleição. “Eu trabalhava com ele, sempre trabalhei desde muito nova e aí
passei a fazer parte de um grupo político. Quando ele decidiu não ser mais
deputado estadual, eu vi uma lacuna que poderia preenchê-la”, conta a atual
deputada. Hoje o processo de José Riva ainda tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por recursos de
defesa de seus advogados.
Já, Lueci Ramos foi vereadora de Cuiabá, por cinco mandatos. Como
uma líder comunitária, antes de entrar na carreira política, ela foi diretora
de uma creche em um bairro periférico, presidente da associação dos moradores e
voluntária em algumas organizações sociais.
| Foto: Arquivo Pessoal |
O apoio popular, na sua primeira candidatura não bastou para que a
ex-vereadora conquistasse um cargo na Câmara Municipal. “Na hora de tomar
posse, meu partido pediu para eu votar no Dentinho para ele ser presidente da
Câmara, eu falei que não e que eu iria votar de acordo com a minha consciência”
confessou Lueci. O partido não permitiu que ela tomasse posse. Foram necessários
dois meses de processo na justiça, para ela assumir o cargo.
De acordo com dados divulgados em 2016, pelo Tribunal Superior
Eleitoral, 52,13% dos eleitores aptos a votar nas disputas municipais daquele
ano eram mulheres. Porém, quando avaliamos a representação feminina na política,
percebemos que elas não chegam ao poder.
“A mulher precisa participar mais da política, não só sendo
candidata, mas em mesas de debates, em reuniões políticas, convenções. Primeiro
tem que ganhar dentro do partido político e essa é uma etapa muito difícil” sustenta,
João Edson.
Ainda segundo esse cientista político, o discurso político deve
ser de soluções e não de dificuldades. As mulheres que se tornam candidatas
precisam reformular o discurso. “Se eu vou ser um político, eu não vou ser um
político definido por gênero, vou ser um político definido por ideias”, defende
ele.
Assim, tanto a mulher se elegendo por apoio de um homem político,
quanto sozinha, com o próprio esforço, o discurso de cada uma dessas duas
formas de candidatura influencia na opinião pública.
Candidata revela bastidor sombrio da cota por gênero
Quando
a estudante Jhéssika Cortez, foi cooptada pelo deputado Victório Galli para se
candidatar a vereadora pelo Partido Social Cristão (PSC), em 2016, ela não
imaginava as ameaças e a insegurança que viriam antes, durante e depois do
pleito.
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| Foto: Reprodução |
A estudante faz parte da cota prevista para que os partidos incluam, ao menos, 30% de mulheres entre os candidatos inscritos nas eleições. Em 2009, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou para retirar o registro de candidaturas masculinas, caso a legenda não atinja o percentual. Outra forma, será inscrever novos candidatos do gênero feminino. Em caso de descumprimento da lei, a legenda pode ser impugnada.
Na
época em que Galli convocou Jhéssika, o partido a prometeu ajuda financeira de R$
11 mil para despesas com a campanha. Durante o pleito, a promessa abaixou para
R$ 9 mil e depois para R$ 7 mil. No final das contas, a estudante não recebeu
nada e precisou fazer empréstimos e vender alguns bens para continuar sua
campanha.
“Eu
precisei vender um freezer para pagar as pessoas que estavam comigo, porque o
presidente do partido disse que a gente precisava contratar cabos eleitorais.
Eu fui muito ameaçada e perseguida, porque eles fizeram o trabalho e queriam
receber”, afirma Jhéssika.
Por
medo de represálias, ela conta que tingiu o cabelo, antes loiro, de preto e
tinha medo de sair de casa. Os seus “santinhos” ficaram prontos apenas alguns
dias antes das eleições porque, segundo ela, o partido atrasou o máximo na
produção junto à gráfica.
“Eu
não fiz campanha. Até as pessoas que disseram que iam votar em mim eu dizia que
não precisava. Eu já não me considerava candidata. Eu fui sacaneada do início
ao fim.”
Ao
final do pleito, a estudante contabilizava apenas 19 votos.

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