Mulheres podem sim ser engenheiras
Cada vez mais as elas estão conquistando lugar de destaque na sociedade.
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| Claudia a direita e Juliana a esquerda. Fotos: arquivo pessoal. |
As mulheres estão cada vez mais inseridas no mundo que até pouco tempo atrás era considerado de homens. Locais como universidades e mercado de trabalho agora estão contando com um número muito maior de mulheres e isso se deve ao avanço das lutas femininas na sociedade através de projetos e busca de sucesso pessoal de cada uma.
As mulheres na nossa sociedade costumavam ser menosprezadas quanto ao assunto estudo e inteligência e pensava-se que deveriam ficar cuidando da casa esperando o marido voltar. Mas isso mudou. Comparando os dados disponibilizados nos Anuários EstatÃsticos pelo site da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) de 2014 e 2015, ficou claro o crescimento do interesse de mulheres pelos cursos de engenharia. O campus da UFMT Cuiabá conta com 47 cursos e 2.929 vagas anuais em média. Alguns cursos contam com pouca presença de mulheres, principalmente os cursos como engenharias e tecnologias.
Em 2014, os cursos como Engenharia Elétrica, Engenharia de Computação e Engenharia de Controle de Automação contaram com mais de 80% de matrÃculas do sexo masculino. Nas Engenharias de Minas, Transporte e Civil teve entre 60% e 70% enquanto as Engenharias Sanitária e Ambiental, QuÃmica e Florestal teve quase tanta mulher, ou mais do que homens, com os números de matrÃcula entre 30% e 60%. Apesar de ter mantido a proporção em 2015, o número de inscrições de mulheres nesses cursos subiram um pouco, mas não teve alteração nas porcentagens.
Os cursos com menos pessoas presença feminina são aqueles que ainda sofrem tabu de ser mais “masculino”. Há pessoas que acreditam que homens são mais capazes intelectualmente do que mulheres, mas não passa de ignorância. A inteligência de uma pessoa para cada área de conhecimento é medida pela forma como é ministrada durante a vida.
Conquistando seu espaço
As dificuldades encontradas por mulheres que cursam engenharia são muitas. Ao conversar com qualquer mulher que convive no ambiente das ciências exatas sempre acaba descobrindo como as ofensas acabam surgindo em forma de brincadeiras.
A aluna Juliana Assunção, 20, que cursa Engenharia Sanitária e Ambiental (ESA) na UFMT se deparou com esse tipo de desafio antes mesmo de entrar no curso. “Por parte da famÃlia ouvi muito a respeito de ‘encontrar um homem bom na engenharia’. Algumas pessoas diziam algo a respeito do salário e muitas, muitas mesmo, diziam que queria ver se eu iria aguentar ate o fim”. Em outro relato ela diz que "a frase que mais se ouve, com toda certeza, é sobre ter estômago fraco e ‘coisas tipo nossa não vai passar mal, hein!’”, dos colegas de classe. Mas ela ainda disse que não sofre tanto quanto as garotas de outros cursos onde a presença feminina é bem menor do que a ESA. “Perto das outras engenharias até temos um número bom de mulheres”.
A desistência de garotas nos cursos também é algo que chama atenção. A aluna Cláudia Sobrinho, 21, do curso Engenharia de Controle e Automação (ECA) também da UFMT relata que na sua classe entraram oito garotas e atualmente sobraram apenas ela e uma colega. Durante algumas conversas ela disse que chegou a escutar várias coisas absurdas, coisas maldosas, como, “‘não existe engenheira, mas sim engenheiro fêmea’, ‘mal amada’, ‘sexo frágil’, entre outras coisas”, isso quando não estavam julgando a aparência “os garotos da sala falavam coisas ruins sobre as meninas, do tipo ‘só tem guria feia esse semestre’ coisas desse tipo... avaliavam as meninas como se fossem mercadorias”. Outra forma de abuso que sofrem as mulheres que cursam engenharia é, além dos colegas de classe, o despreparo de alguns professores que ainda tem certo preconceito. Cláudia já sofreu com um professor. “Ele foi extremamente rÃgido comigo, enquanto que com meninos na sala fazendo bagunça, ele não foi”.
Mas ambas as entrevistadas concordam com um fato: Há cada vez mais mulheres nas engenharias.
Dentro da UFMT há um projeto de extensão chamado “Meninas Digitais” que é formado por alunas da Engenharia de Computação (EC) e está atuando desde 2015 nas escolas de 13 cidades de Mato Grosso (MT). Além da UFMT campus de Cuiabá e Rondonópolis, estão envolvidas as Instituições Federais de Mato Grosso (IFMT) dos campos de Tangará da Serra, Cuiabá, Pontes e Lacerda, Cáceres, Campo Novo do Parecis.
O projeto visa a equidade dos gêneros nas carreiras e cursos da área de computação e suas tecnologias através do incentivo e ensino para o público feminino aprender mais sobre um assunto que normalmente é voltado para o público masculino. O programa funciona através de trabalho colaborativo das alunas da EC e apesar de ter um nome que chama a atenção das mulheres, é possÃvel a participação de homens também.
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| Foto: arquivo pessoal de Daniella |
Daniella Lima, que mora em Rio Branco não se intimidou por esses desafios e largou um emprego fixo para seguir o sonho de ser mecânica. “Meu marido me perguntava: ‘Por que você não monta um salão, não vai mexer com unha, que é o que toda mulher faz?’ Eu dizia que não. Quero mexer com carro.”. Após concluir a faculdade de mecânica ela fez diversos cursos e hoje em dia sua oficina tem cerca de 80% de mulheres como clientes, pois se sentem mais confortáveis e menos enganadas ao serem atendidas por outra mulher.


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