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Bolo de arroz e ovos de páscoa impulsionam economia criativa


A Economia que usa da criatividade para valorizar produtos autorais e tradicionais

O cheiro é de café e pão de queijo, no salão simples, há mesas de plástico com toalhas coloridas, do lado direito do estabelecimento os quatro grandes fornos a lenha chamam a atenção. É lá que os bolinhos de arroz, bolos de queijo e chipas mais famosos da cidade são finalizados.

Todos são vendidos a R$ 3,00 cada um e por mais R$ 3,00, café, chocolate quente e chá em garrafas térmicas podem ser consumidos à vontade.
Reprodução: google imagens
Foi dessa renda que Dona Eulália da Silva Soares - hoje com 83 anos – sustentou oito filhos.
Quando tudo começou, em 1956, a ideia era aumentar a renda familiar – os bolinhos eram vendidos de porta em porta com a ajuda de garotos da vizinhança e nas festas da Igreja São Benedito, um dos principais padroeiro dos descendentes de escravos de Cuiabá.
Foi então que Dona Eulália pediu ao seu marido, Sr. Eurico Soares que construísse um forno à lenha, para aumentar a produção e vender quitutes em casa.
O resultado de trabalho árduo e em família foi o sucesso. Seu bolinho conquistou os paladares e corações cuiabanos, fez fama e ultrapassou fronteiras. Dona Eulália esbanja orgulho quando menciona sobre seu bolinho como sendo eleito o melhor da cidade pelo júri de VEJA Comer&Beber Cuiabá - revista de gastronomia editada de forma regional pela publicação nacional informativa.
O nome atual do estabelecimento, “Eulália e Família” se refere ao fato de que as 14 pessoas trabalhando são todas parte da família. Mas, religiosamente, às 5h30 da manhã, Dona Eulália continua abrindo a porta do seu estabelecimento (que funciona às Terças, Quintas, Sábados e Domingos).
Dona Eulália conta que se sente realizada, “Um negócio de família. São minhas filhas, netos e bisnetos que trabalham. E eu fico muito feliz né? Sei que na minha falta tudo que construí vai continuar”.
 
Reprodução: google imagens
Economia criativa
O empreendimento familiar é um exemplo de algo muito inovador no mundo, o indiano Muhammad Yunus concebeu, e conseguiu implantar, a mais conhecida e bem sucedida experiência de microcrédito do mundo, e por isso, recebeu o prêmio Nobel em 2006.
O comitê responsável pela premiação declarou, na época, que “seus esforços para gerar desenvolvimento econômico e social a partir de baixo. O desenvolvimento a partir da base também contribui para o avanço da democracia e dos direitos humanos".
Como um caminho para os países de terceiro mundo para aliar os saberes das populações tradicionais a geração de renda, a base dessa atividade seria a criatividade.
Quando procuramos o significado da palavra criatividade, temos a seguinte definição: capacidade de criar, produzir ou inventar coisas novas. É essa a principal característica da Economia Criativa. Mas, afinal, o que é a economia criativa?
Segundo o Sebrae, uma das entidades que trabalham para o crescimento do setor no Brasil, são “negócios baseados em capital intelectual e cultural e na criatividade que gera valor econômico”. Em Cuiabá, a Economia Criativa colabora não só pela sua própria influência econômica, mas por buscar valorizar produtos autorais e tradicionais como é o caso do bolo de arroz da Dona Eulália.
Vista como a economia do século XXI, o fato é que, hoje, esse novo formato de Economia investe em soluções criativas o que contribui diretamente para o desenvolvimento de uma sociedade mais sustentável e mais preocupada com o futuro. E é justamente isso que estamos vendo e vivendo no nosso dia a dia.
O setor da Economia Criativa é responsável por gerar cerca de 9% dos empregos formais no país, e oferece uma renda salarial média de R$ 2.293,64, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Além disso, numa pesquisa feita em 2014, segundo levantamento nacional do IBGE, a renda média é 44% mais elevada do que nos setores da economia tradicional, por exemplo, e também está acima da renda média nacional.

Doces fitness
A capital cuiabana abriga outros exemplos de Economia Criativa, como é o caso da arquiteta Amanda Freires, de 24 anos. Em 2016, sua paixão pelo mundo fitness a levou a abrir uma loja virtual de roupas fitness, o que ela já fazia, de maneira informal, desde 2012, depois disso passou a investir em culinária.
“Decidi produzir os ovos funcionais porque assim como eu, sei que existem varias outras pessoas que querem se alimentar bem e, ao mesmo tempo, manter as tradições e curtir o que essa data comemorativa linda tem a nos oferecer”.
Segundo Amanda a população cuiabana recebeu bem a proposta, mas a ideia só fez sucesso porque ela já era conhecida no meio fitness. “Acho que foi bem aceito porque as pessoas conhecem meu trabalho há bastante tempo, sabem que o que eu falo é o que eu faço”. 
Reprodução: arquivo pessoal
Com essa confiança conquistada pelos clientes Amanda lançou a “Petit Potê” um uma extensão da ideia inicial dos ovos de páscoa funcionais. A iniciativa é um exemplo de um produto autoral da economia criativa.

Focas da Federal

“Eu ainda acredito que, se seu objetivo é mudar o mundo, o jornalismo é uma arma mais imediatas de curto prazo”. – Tom Stoppard

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